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Neuropsicologia e Mounjaro: como o cérebro participa do emagrecimento e por que isso importa
O uso de medicamentos como o Mounjaro (tirzepatida) tem mostrado resultados expressivos na perda de peso, mas o que muitas vezes passa despercebido é que esses efeitos não acontecem apenas no corpo, eles também envolvem o cérebro. A neuropsicologia ajuda a entender esse processo, mostrando que comer é um comportamento guiado por emoções, impulsos, hábitos e pela forma como o cérebro avalia recompensa e toma decisões.
As funções executivas, conceito central na obra de Russell Barkley, são fundamentais nesse contexto. Barkley descreve essas funções como “ações autogeradas que organizam o comportamento ao longo do tempo para atingir metas futuras” (2012) e afirma que o autocontrole é a capacidade de agir “com base no futuro, e não apenas no presente” (2015). Isso significa que resistir a impulsos, planejar refeições e manter hábitos saudáveis depende diretamente da capacidade do cérebro de regular comportamentos.
O Mounjaro atua em hormônios como GLP‑1 e GIP, aumentando a saciedade e reduzindo a fome, mas estudos recentes mostram que ele também modula áreas cerebrais ligadas ao apetite e à recompensa. Pesquisas de neuroimagem (Carmichael et al., 2024) indicam que a tirzepatida reduz a ativação de regiões associadas ao desejo por comida, como o córtex orbitofrontal e o hipocampo. Isso ajuda a explicar por que muitas pessoas relatam menor compulsão e menos “vontade” de comer alimentos altamente palatáveis.
Apesar disso, o medicamento não altera automaticamente padrões emocionais e comportamentais construídos ao longo da vida. Comer por ansiedade, usar comida para regular emoções ou agir por impulsividade são comportamentos que permanecem se não forem trabalhados. É por isso que a neuropsicologia se torna essencial: ela ajuda a identificar gatilhos, fortalecer funções executivas, melhorar o autocontrole e reconstruir a relação com a comida. O remédio reduz o impulso biológico; a neuropsicologia reorganiza o comportamento.
A combinação das duas abordagens tanto farmacológica e neuropsicológica é o que realmente pode sustentar mudanças duradouras.
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Referências:
BARKLEY, R. A. Funções Executivas: O que São, Como Funcionam e Por que Evoluíram. Porto Alegre: Artmed, 2012.
BARKLEY, R. A. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade: Manual para Diagnóstico e Tratamento. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.