
🇧🇷➡️🇵🇾 Migração de brasileiros ao Paraguai: um olhar neuropsicológico e sociocultural
A migração de brasileiros para o Paraguai é um fenômeno que combina fatores econômicos, sociológicos e psicológicos, mas também envolve mecanismos neuropsicológicos que influenciam decisões em contextos de incerteza. Desde os anos 1970, muitos brasileiros se deslocam em busca de terras mais acessíveis, oportunidades no agronegócio e menor custo de vida, formando comunidades conhecidas como brasiguaias. Como aponta Vanucia Gnoatto, essas trajetórias revelam não apenas deslocamentos geográficos, mas reconstruções identitárias e estratégias de vida.
Sob a perspectiva sociológica, Zygmunt Bauman interpreta a migração como resposta à instabilidade da modernidade líquida, enquanto Pierre Bourdieu entende o deslocamento como estratégia de acumulação de capital econômico e social. Saskia Sassen complementa ao mostrar que fluxos migratórios fazem parte de reestruturações globais que tornam fronteiras permeáveis ao trabalho, mas não necessariamente aos direitos.
A neuropsicologia contribui ao demonstrar que a decisão de migrar envolve o córtex pré-frontal, responsável por avaliar riscos e recompensas. Em cenários de crise, o sistema dopaminérgico tende a favorecer escolhas ousadas, como mudar de país. O estresse crônico ativa o eixo HPA, levando o indivíduo a buscar ambientes que ofereçam maior sensação de controle e segurança emocional.
A psicologia social crítica, representada por autores como Antônio da Costa Ciampa, destaca que migrar é um processo de metamorfose identitária, no qual o sujeito ressignifica sua história e seus papéis sociais. Suélen Cristina de Miranda reforça que compreender a migração exige olhar para narrativas pessoais, condições materiais e interseccionalidades que moldam cada trajetória.
No caso Brasil–Paraguai, surgem identidades híbridas e vínculos transnacionais que combinam pertencimento e estranhamento. Assim, migrar é um ato complexo: sociologicamente motivado por desigualdades e oportunidades, psicologicamente impulsionado pela busca de autonomia e segurança, e neuropsicologicamente influenciado por mecanismos de decisão e regulação emocional.
Referências
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
CIAMPA, Antônio da Costa. A estória do Severino e a história da Severina: um ensaio de psicologia social. São Paulo: Brasiliense, 1987.
GNOATTO, Vanucia. Brasiguaios: trajetórias migratórias e identidades na fronteira Brasil–Paraguai. 2020. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, 2020.
MIRANDA, Suélen Cristina de. Migração, identidade e psicologia social crítica: narrativas de sujeitos migrantes. São Paulo: Cortez, 2019.
SASSEN, Saskia. As cidades na economia global. São Paulo: Studio Nobel, 1998.